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Oscar De Masi , 2001, Comunicación Gubernamental.
Buenos Aires: Paidós
Autor/-a de la reseña: Adriana Dias
Na introdução, escrita por Francisco Delich, os grandes temas do livro Comunicação Governamental são delineados: se, por um lado, as democracias ocidentais desenvolveram uma profunda transformação no sistema de relação, uma fundamental interconexão entre a sociedade civil e o estado, estas, por sua vez, determinaram novas formas de pensar a comunicação, e novas práticas para a atividade social e política nelas inseridas. Essa modificação cobra destas democracias uma nova postura, objetivando uma superação das antigas e tradicionais tensões entre estado e cidadania, sociedade e ator social, mercado e consumidores.
Uma das evidências da grande extensão dessa transformação são as próprias campanhas eleitorais, segundo Delich, em especial a constante profissionalização voltada ao “poder midiático”: se define o denominado “marketing político”. Durante o processo, se atribui muito poder político às novas tecnologias, destacando-se uma orientação social e política que emana dessa nova sociedade, da informação, formatada pela digitalidade, pela despersonalização e pela aceleração. A idéia de “opinião pública”, inclusive (como cunhado por Talcott Parsons), se refere ao modo como os atores sociais recebem estas influências.
O livro, organizado por Oscar Andrés De Masi se aproxima dessas questões, problematizando a lógica comunicativa, desse, quem sabe, novo mundo[1]
No primeiro capítulo, escrito pelo próprio De Masi, a comunicação governamental argentina é abordada numa perspectiva histórica. A ele se acrescenta um capítulo de autoria de Gasió e Amadeo, que realizam um estudo de caso pautado na utilização da comunicação hipermediada feita pelo Ministério da Economia da Argentina, na década de noventa. Nesses dois artigos, se demonstra uma relação entre os meios de comunicação especializados, as forças políticas que o influenciam e a forma como a comunicação em massa emoldura a relação entre eles.
Nota-se como a partir da década de noventa, a dimensão técnica da política de comunicação foi definitiva na gestão do governo argentino. Esta incorporação definitiva da comunicação como elemento crucial de gestão política não apenas esta na base da consolidação democrática, como também determinou a presença da comunicação hipermediada entre todos os atores sociais envolvidos na questão. O poder passaria a emanar da própria comunicação, na rede, que efetivamente torna esse poder legitimo.
A comunicação governamental e sua relação com a segurança estatal determinam a elaboração e a implementação de novas estratégias, e disto tratam o quarto, o quinto, o sexto e sétimo capítulos. Nesta nova estratégia, os autores dos textos abordam aspectos técnicos e éticos da comunicação governamental, e apreendem o que os novos modelos comunicativos exigem dos atores sociais nele inseridos.
É no terceiro capítulo do livro, entretanto, central no texto e na abordagem do tema, que o tema da comunicação governamental é tratado em seu aspecto mais elaborado: Luis Stuhlman percorre o caminho desenvolvido no processo de transformação do estado burocrático, para o estado democrático.
O estado burocrático, visto como insuficiente, durante a década de 90, encontra na comunicação hipermediada uma via de acesso a seu novo papel: dialogar com a Sociedade Civil, e reelaborar a relação entre o poder estatal e os diversos atores sociais. Utilizando o termo “grande mudança”, para descrever os enormes questionamentos que o estado burocrático sofreu ao ter toda a sua rígida predeterminação de procedimentos invalidada, o autor demonstra a insuficiência deste modelo de estado para responder às transformações sociais do tempo presente. Estas transformações esboçam uma nova forma de estrutura política: nota-se a ausência de sistemas organizados, desaparece qualquer tipo de centro e os vínculos de solidariedade se revelam aleatórios e evanescentes. O predomínio da indeterminação e do indefinido exige que a lentidão administrativa, antes garantia de controle no estado burocrático, esteja sob ameaça. Não há mais espaço para a centralização das decisões, e a própria estabilidade do poder permanece sem garantias.
É na definitiva transição para um Estado comunicativo que assegurará ao novo Estado uma consolidação de sua forma democrática e um diálogo constante com a sociedade. O Estado passa a ser um interlocutor desta sociedade, e todas as políticas públicas devem participar desta nova forma de acesso, que o autor denomina “estrutura de comunicação completa”. Ainda que no início, esta transição entre o modelo comunicativo burocrático e o modelo comunicativo democrático, parece ao autor definitiva, e garantirá acesso pleno da cidadania, melhor qualidade de vida social e política e uma verdadeira possibilidade de interação entre os atores sociais atuais.
[1] A respeito da rede, como “o novo mundo” observar meu artigo “A invenção da Cibercultura” (2009): Motivo de idealizações distintas, muitos pensadores tecem a rede como solução para todos os problemas humanos (como Pierre Lévy, por exemplo), ou fonte destes mesmos problemas (a exemplo de Paul Virilio). É impossível não pensar como Sérgio Buarque de Holanda: idealizava-se o Novo Mundo, constrói-se para ele uma imagem distorcida, terra infernal ou paradisíaca.
Referências:
Dias, Adriana A Invenção da Cibercultura, RAM, Buenos Aires, 2009.
HOLANDA, Sérgio Buarque. Visão do paraíso. São Paulo: Nacional, 1994.