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Rodriguez, Joaquin , 2007, Edicion 2.0: Los futuros del libro.
Madrid: Melusina
Autor/-a de la reseña: Nilton Bahlis Dos Santos
Quando se fala do Futuro do Livro, em geral se fala sobre os seus possíveis suportes (Tablet, Papel Eletrônico. celular, computador, Iphone, etc). Não se aborda o Livro como um Dispositivo de Interação Virtual, com uma tecnologia particular, que traz no seu interior toda uma complexidade de relações sociais, formas de interação, com as características culturais que elas impulsionam.
O Livro é algo mais que um objeto, um mero suporte de “informações”. Ele é ao mesmo tempo causa e conseqüência de uma determinada tecnologia e com ela, dos hábitos e relações que ela viabiliza. Neste sentido, reduzir a discussão de seu futuro às modificações de seu suporte é uma simplificação que não nos permite compreender a complexidade das transformações que estão em curso.
A primeira grande contribuição do livro de Joaquin Rodriguez é abrir todas as portas.
O Futuro do Livro coloca sim a discussão dos possíveis suportes, mas coloca e colocará também em discussão tudo que o envolve: o conteúdo do livro (o rompimento do círculo de giz através da possibilidade de links que relacionam o que nele se lê com o mundo, a possibilidade acrescida de uso de imagens e mesmo de vídeo, entre outras); as possibilidades de autoria compartida e dos seus direitos; as possibilidades novas de distribuição, de sua indústria; e de políticas publicas. Enfim, tudo que envolve as mudanças tecnológicas, econômicas e culturais que promovem tais transformações.
Em geral, quando se discute o futuro do livro, ocorre o confronto entre pessoas que se identificam com as novas tecnologias e aquelas pessoas que fazem e viabilizam os livros. No caso, o autor tem como característica particular o fato de ser um editor e alguém imerso na Internet, o que lhe permite estabelecer a ponte, mostrar as razões e des-razões de ambos os lados. Discutir seus interesses não de forma maniqueísta (isto é bom ou ruim), excludente, mas, ao contrário, apontar as possibilidades acrescidas que se abrem para esse futuro. O escritor, o editor, o livreiro, o distribuidor, o bibliotecário não devem se apegar ao que têm, mas buscar o que podem ter. Cabe a eles aportarem experiências, conhecimentos, participarem da construção do Futuro do Livro. E com isto só terão a ganhar.
Ao tratar do Livro em toda a sua complexidade, o texto deRodriguez apresenta uma terceira virtude, que é romper com o determinismo e as tentivas de profecia, em geral rapidamente frustradas que envolve esta discussão. O recado já esta no titulo: “Os futuros” e não “O futuro” do livro. Sim, porque não é possível tratar o futuro de processos tão complexos como se eles pudessem já estar determinados. Na realidade, não há um futuro, mas múltiplos futuros que correm paralelos, que se superpõe, que competem, se complementam e que se sincronizam. O que teremos é uma combinação de tecnologias, de dispositivos e de práticas diversas. Pois o Livro, pela sua importância para nossa cultura, tem múltiplos futuros.
Estas três virtudes, já fariam esse livro obrigatório para todos os que participam do mundo da edição, profissionalmente ou como usuários; os que têm no livro um instrumento importante de formação e ação, os que estudam e pesquisam sobre informação e comunicação. Mas alem disto, Ediccion 2.0 é um passeio por esse mundo da edição e da cultura do livro. O autor é capaz de nos trazer a experiência dos Biblioburros (bibliotecas que viajam pelos Andes carregando seus livros em animais de carga) e discutir com um tom de obviedade algumas grandes argumentações usadas pelos que se agarram ao passado (porque reclamar que o conteúdo dos livros seja exposto ao comprador na Internet se elês tem este mesmo direito nas livrarias?). Do mesmo modo, permite atualizar e criar condições de uma tomada de posição sobre determinados assuntos como, por exemplo, as polêmicas que envolvem os defensores da manutenção dos direitos autorais como eles são hoje e os que trabalham dentro da visão do Creative Commons.
Este tom, que se torna possível por um dos futuros do livro, ao combinar técnica de blog (pequenas unidades de sentido) com uma narrativa geral (que tem o livro) possibilita ao seu leitor ter um panorama das transformações em curso, permitindo a estudantes e pesquisadores, da mesma maneira que para os profissionais do livro, de terem idéias e referências para suas atividades. Além de proporcionar acesso a uma vasta relação de links e referências sobre o assunto que colocam o livro no meio do mundo...